Sindicatos destacam adesão elevada e acusam o Governo de ignorar as reivindicações dos trabalhadores da Administração Pública.

A paralisação convocada para esta sexta-feira pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública e pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) teve forte impacto em vários serviços estatais. A greve nacional, que abrangeu professores, profissionais de saúde e funcionários administrativos, provocou o encerramento de escolas e a suspensão de parte das atividades programadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Os sindicatos classificaram a adesão como “muito expressiva”, considerando que a mobilização demonstra o crescente descontentamento dos trabalhadores face à ausência de respostas concretas do Governo às suas reivindicações salariais e laborais.

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Educação entre os setores mais afetados

De acordo com a Fenprof, numerosos estabelecimentos de ensino permaneceram encerrados durante o dia. Em várias regiões, as escolas básicas e secundárias não conseguiram abrir portas devido à falta de professores, assistentes operacionais e técnicos administrativos.

A federação destacou que a greve surge num momento de grande tensão no setor educativo, marcado por carreiras congeladas, salários desatualizados e sobrecarga de trabalho.

“A adesão dos docentes e funcionários prova o nível de exaustão e frustração que se vive nas escolas”, afirmou um dirigente da Fenprof, acrescentando que “os profissionais estão a exigir respeito e valorização pelo papel que desempenham”.

Além das escolas públicas, a paralisação também teve impacto em centros de formação e serviços de apoio educativo, o que afetou o normal funcionamento do calendário letivo.


Consultas e cirurgias adiadas nos hospitais

Na área da saúde, o impacto também foi significativo. Hospitais e centros de saúde em todo o país reportaram cancelamentos e adiamentos de consultas, exames e intervenções cirúrgicas não urgentes.

Embora tenham sido garantidos serviços mínimos, os sindicatos afirmaram que as perturbações são inevitáveis num contexto em que milhares de profissionais se mobilizam para exigir melhores condições de trabalho e aumento real dos salários.

“O sistema público de saúde só se mantém graças ao esforço de quem nele trabalha, muitas vezes em condições precárias”, referiu um representante da Frente Comum, sublinhando que a greve é também um alerta para o estado de sobrecarga do SNS.


Reivindicações centrais: salários e valorização das carreiras

Os organizadores da paralisação reiteram que o principal objetivo é forçar o Governo a negociar aumentos salariais justos e rever as progressões de carreira no funcionalismo público.

Segundo a Frente Comum, a proposta de atualização salarial prevista para o próximo Orçamento do Estado é considerada insuficiente, já que “não acompanha o aumento do custo de vida nem recupera as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos”.

A Fenprof reforçou ainda a importância de melhorar as condições nas escolas, incluindo investimento em infraestrutura e reforço de pessoal de apoio.


“Mobilização que serve de aviso”

Os dirigentes sindicais garantem que a greve desta sexta-feira não será um ato isolado. Caso o Governo não apresente respostas concretas nas próximas semanas, novas formas de protesto poderão ser convocadas.

“Esta greve é um aviso. Se o Governo continuar a ignorar os problemas da Administração Pública, a luta vai continuar e pode intensificar-se”, alertou um dos porta-vozes da Frente Comum.

A paralisação decorre num momento de tensão social crescente, com diferentes categorias profissionais a reivindicar melhores salários e condições dignas de trabalho. Os sindicatos consideram que a adesão elevada é um sinal claro de unidade entre trabalhadores de diferentes setores e uma mensagem política direta ao Executivo.


Próximos passos

As centrais sindicais aguardam agora um gesto de abertura do Governo para iniciar um diálogo efetivo. Enquanto isso, preparam novos plenários e reuniões regionais para avaliar os resultados da greve e decidir os próximos movimentos.

Apesar das perturbações nos serviços, tanto a Fenprof como a Frente Comum afirmam que o objetivo da paralisação foi chamar a atenção da sociedade para a importância de valorizar os profissionais que sustentam o funcionamento diário do Estado.