(24) Educação sexual não deve desaparecer: jovens precisam de informação clara, segura e inclusiva
A recente declaração do ministro da Educação, Fernando Alexandre, de que a educação sexual “não vai desaparecer dos currículos escolares”, reacendeu o debate em Portugal sobre o papel das escolas na formação sexual e emocional dos jovens. A fala ocorre em meio a preocupações levantadas por pais, especialistas e entidades da área da saúde e dos direitos humanos, após a proposta de reforma curricular que retira a sexualidade como tema obrigatório da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.
🔍 O que está em jogo?
Segundo o novo documento curricular em consulta pública até 1 de agosto de 2025, temas como sexualidade, identidade de género, saúde reprodutiva e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis deixam de estar entre os eixos obrigatórios. O Governo afirma que esses conteúdos continuarão a ser abordados transversalmente em outras disciplinas. No entanto, a ausência de uma menção direta preocupa profissionais da educação, que temem que a omissão leve à desvalorização do tema nas escolas.
📚 Por que a educação sexual é fundamental?
No filme As Vantagens de Ser Invisível, vemos como a falta de diálogo aberto sobre sexualidade, consentimento e traumas pode impactar profundamente a vida dos jovens. Charlie, o protagonista, lida com experiências difíceis e confusas que poderiam ter sido compreendidas mais cedo se houvesse educação sexual adequada na sua escola. A obra destaca como o silêncio e o tabu em torno do tema deixam os adolescentes vulneráveis, sem ferramentas para reconhecer abusos, entender seus sentimentos ou construir relações saudáveis. É por isso que a educação sexual nas escolas não é apenas importante — é essencial para proteger, informar e acolher cada jovem em sua complexidade.

A educação sexual baseada em evidências científicas é uma ferramenta essencial para garantir a saúde física, emocional e mental dos jovens. Diversos estudos apontam que:
- Reduz comportamentos de risco, como relações desprotegidas;
- Diminui taxas de gravidez na adolescência e de ISTs;
- Promove o respeito ao corpo, ao consentimento e à diversidade;
- Contribui para prevenir abusos e violência de género;
- Fortalece a autoestima e o bem-estar emocional de adolescentes.
Especialistas reforçam que abordar esses temas não estimula a atividade sexual precoce, mas sim prepara os jovens para tomar decisões informadas, seguras e respeitosas.
⚖️ Um retrocesso perigoso
A retirada da educação sexual do centro do currículo é vista por muitos como um retrocesso. Entidades como o Conselho Nacional de Juventude, associações de psicólogos e especialistas em saúde reprodutiva alertam que não nomear o tema é o primeiro passo para invisibilizá-lo. Isso pode deixar milhares de estudantes — especialmente jovens LGBTQIA+, raparigas e vítimas de violência — ainda mais vulneráveis.
A lei portuguesa já determina, desde 2009, que todas as escolas devem garantir acesso à educação sexual. No entanto, a aplicação é desigual. A ausência de um direcionamento claro nas orientações curriculares pode piorar ainda mais esse cenário.
🧭 O papel da escola na formação integral
A escola é o lugar onde os jovens aprendem não apenas conteúdos acadêmicos, mas também valores, convivência e cidadania. Deixar a educação sexual à margem é ignorar uma parte essencial do desenvolvimento humano. O silêncio institucional pode abrir espaço para desinformação, tabus, mitos e violência.
É necessário garantir:
- Que os conteúdos sobre sexualidade estejam claramente definidos no currículo;
- Que professores sejam capacitados para abordar o tema com sensibilidade e rigor científico;
- Que o ambiente escolar seja seguro, inclusivo e aberto ao diálogo.
🇵🇹 Oportunidade de avançar, não de recuar
Portugal tem a oportunidade de continuar sendo um exemplo de promoção de direitos humanos e saúde pública. Para isso, é fundamental que o Governo não apenas mantenha a educação sexual nos currículos, mas a fortaleça. A juventude precisa de informação, escuta e ferramentas para viver relações saudáveis, livres de medo, preconceito ou violência.