A Depressão Cláudia continua a provocar sérios estragos em Portugal, afetando grande parte do território nacional com chuvas intensas, ventos fortes e interrupções significativas no fornecimento de energia elétrica. Até às 13h desta quinta-feira, a Proteção Civil registou mais de mil ocorrências, incluindo inundações, quedas de árvores, deslizamentos e bloqueios de estradas, enquanto milhares de clientes permanecem sem eletricidade. O mau tempo resultou em mortes confirmadas, deslocamentos de moradores e danos em infraestruturas críticas, como vias de transporte, escolas e serviços públicos, demonstrando a vulnerabilidade das zonas urbanas e rurais frente a fenómenos meteorológicos extremos.

A intensidade da depressão tem sido agravada pela saturação do solo, pelo relevo vulnerável e pela densidade populacional em áreas críticas, fatores que aumentam o risco de cheias e colapsos em infraestruturas. Além das áreas mais afetadas em Lisboa, Setúbal e Santarém, outras regiões do país, incluindo o Centro, o Norte, o Alentejo e o Algarve, também registaram ocorrências significativas, obrigando a Proteção Civil a mobilizar centenas de operacionais e dezenas de viaturas para atender emergências. Na Madeira, por exemplo, foram 41 ocorrências atendidas por 124 operacionais, evidenciando o alcance nacional do impacto da tempestade.

As autoridades reforçam a necessidade de atenção constante aos alertas meteorológicos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e recomendam à população que permaneça em casa sempre que possível, evite deslocações desnecessárias e reporte rapidamente qualquer situação de risco. Com a passagem da Depressão Cláudia ainda em curso, novos episódios de chuva forte, vento intenso e agitação marítima podem ocorrer nas próximas horas, mantendo o país em estado de alerta e exigindo máxima precaução das comunidades afetadas.

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Mortes e desalojados

O temporal já provocou duas mortes confirmadas: um casal de idosos, de 88 anos, em Fernão Ferro, no concelho do Seixal, teve a sua habitação inundada. Além disso, dezenas de pessoas foram deslocadas das suas casas devido a cheias ou ao risco de desabamentos. Na Madeira, a situação também exigiu ação imediata: foram registadas 41 ocorrências, mobilizando 124 operacionais e 45 viaturas para garantir segurança e assistência.

Estragos materiais e apagão elétrico

O mau tempo provocou cortes significativos no fornecimento de energia elétrica, afetando cerca de 13 mil clientes nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém. Estradas e ruas foram bloqueadas por quedas de árvores, infiltrações e alagamentos, complicando a circulação de veículos e transportes públicos. A circulação ferroviária entre Entroncamento e Riachos, na Linha do Norte, precisou ser interrompida. Escolas em várias regiões foram fechadas preventivamente, e a navegação em barras marítimas foi suspensa devido à agitação do mar, afetando atividades portuárias e costeiras.

Prevenção e alertas da Proteção Civil

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) reforçou os avisos à população, orientando que se evitem deslocações desnecessárias e que se permaneça em locais seguros. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mantém alertas de chuva intensa, ventos fortes e agitação marítima, especialmente até ao fim de semana.

Especialistas destacam que a intensidade da Depressão Cláudia é potencializada pela combinação de solo saturado, relevo vulnerável e urbanização densa, fatores que aumentam o risco de inundações e danos em infraestruturas. As autoridades reiteram a importância de medidas preventivas e atenção constante às informações oficiais para minimizar riscos e proteger a população.

A Cláudia deixa, até agora, um cenário de alerta nacional, reforçando a necessidade de preparação e resposta rápida frente a eventos climáticos extremos. A continuidade do acompanhamento meteorológico é fundamental para reduzir impactos e garantir a segurança das comunidades afetadas.


Dados mais detalhados sobre os impactos da Depressão Cláudia:

  • Até às 11h00 desta quinta‑feira, foram registadas 918 ocorrências em território continental, das quais 594 corresponderam a inundações e 140 a quedas de árvores.
  • A área com maior número de incidentes foi a região de Lisboa e Vale do Tejo, com cerca de 540 ocorrências. Seguem‑se a região Centro com aproximadamente 263 ocorrências, Norte com 66, Alentejo com 19 e Algarve com 31.
  • No que respeita à energia elétrica, em determinado momento chegaram a estar cerca de 20 000 clientes sem abastecimento, sobretudo nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal. Posteriormente esse número foi estimado em torno de 13 000 clientes ainda sem energia.
  • No arquipélago da Madeira foram registadas 41 ocorrências, mobilizando 124 operacionais e 45 viaturas.
  • Foram fechadas 14 barras marítimas à navegação devido à forte agitação marítima em consequência da depressão.
  • O aviso meteorológico para chuva forte, ventos e agitação marítima abrangia grandes partes do país, com várias zonas sob aviso vermelho ou laranja, como os distritos de Setúbal e Santarém.