Governo reforça investimento nas urgências enquanto novo foco de gripe aviária acende alerta em Torres Vedras.
O Ministério da Saúde anunciou uma nova linha de financiamento destinada a requalificar serviços de urgência hospitalar em todo o país, ao mesmo tempo em que a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou mais um foco de gripe aviária em Torres Vedras. As duas informações, divulgadas nesta segunda-feira, expõem simultaneamente os desafios estruturais e sanitários que Portugal enfrenta.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afirmou que o investimento será dirigido sobretudo às urgências consideradas mais fragilizadas, como as das unidades da Guarda e de Beja, onde corredores ainda são utilizados para observação de doentes. Segundo a ministra, o objetivo é reorganizar circuitos, ampliar a capacidade tecnológica e criar condições mais seguras e dignas tanto para pacientes quanto para profissionais.

Reforço contra a gripe.
O reforço inclui a aquisição de equipamentos como tomógrafos, ecógrafos e aparelhos de imagem avançados, além de intervenções físicas para melhorar fluxos, triagem e áreas de atendimento. Martins acrescentou que a medida também procura melhorar a articulação com os cuidados de saúde primários, reduzindo o número de casos não urgentes que acabam por sobrecarregar os hospitais.
Enquanto o Governo tenta modernizar as urgências, a DGAV confirmou o 39.º foco de gripe das aves em Portugal este ano. O novo caso foi detetado numa capoeira doméstica no Ramalhal, em Torres Vedras, onde estavam gansos, patos e outras aves. No mesmo dia foram identificados dois surtos adicionais numa exploração de perus no concelho e três casos em aves selvagens no distrito de Aveiro.
As autoridades reforçaram a necessidade de manter medidas apertadas de biossegurança, já que a maioria dos surtos em aves domésticas tem origem no contacto com aves selvagens. Nas zonas de proteção e vigilância, continuam proibidas a circulação de aves, exposições e o transporte de subprodutos animais. A DGAV alerta ainda que infrações às normas serão alvo de sanções.
A coincidência entre o anúncio do investimento nas urgências e a deteção de novos focos de gripe aviária evidencia a dupla frente de ação do país: requalificar serviços pressionados por anos de sobrecarga e, simultaneamente, manter vigilância sobre ameaças sanitárias emergentes. Para o Governo, ambos os esforços são essenciais para garantir a resiliência do sistema de saúde num inverno que se prevê exigente.
Cuidados que a população deve adotar contra a gripe aviária:
As autoridades reforçam que a população deve adotar medidas preventivas simples, sobretudo nas regiões onde foram detectados novos focos de gripe aviária. A DGAV destaca que o risco permanece controlado, mas a vigilância individual é essencial para evitar novas transmissões. Entre os principais cuidados estão o confinamento de aves domésticas, a atenção redobrada à higiene e a comunicação imediata de situações suspeitas.
Principais recomendações:
- Confinar aves domésticas, evitando qualquer contacto com aves selvagens, especialmente as aquáticas.
- Não tocar em aves mortas ou doentes encontradas na rua, em terrenos baldios ou áreas rurais.
- Reforçar a higiene das mãos, sobretudo após visitas a quintas, mercados ou espaços com presença de animais.
- Consumir carne de aves e ovos apenas bem cozinhados, evitando preparações cruas ou mal passadas.
- Comunicar de imediato às autoridades locais a morte súbita de aves domésticas, sem tentar manuseá-las sem proteção.
- Seguir atualizações oficiais da DGAV e dos serviços de saúde, evitando a partilha de rumores ou informações não verificadas.