Caracas acusa Washington de ataque “devastador” e fala em pelo menos 100 mortos.
O governo da Venezuela afirmou que uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano provocou, pelo menos, 100 mortes e dezenas de feridos, num dos episódios mais graves da escalada de tensões entre os dois países nos últimos anos. As autoridades de Caracas classificam a ação como um ataque direto à soberania nacional e alertam para um agravamento da crise humanitária.
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o ministro do Interior, , descreveu a operação como “terrível” e afirmou que o número de vítimas ainda pode aumentar à medida que as equipas de resgate avançam nas áreas atingidas. Segundo o governo, bairros residenciais próximos aos alvos militares sofreram danos significativos, com relatos de casas destruídas e interrupções no fornecimento de energia e água.
Alvos e versão oficial da Venezuela
De acordo com Caracas, a ofensiva teve como objetivo estruturas estratégicas e posições ligadas à liderança do país. Autoridades venezuelanas alegam que a ação procurava capturar ou neutralizar o presidente , versão que não foi confirmada oficialmente por Washington. O governo dos EUA, por sua vez, ainda não apresentou um relatório público detalhado sobre a operação, limitando-se a afirmar que atuou em defesa de interesses de segurança nacional.
Fontes governamentais venezuelanas indicam que forças armadas e civis estão entre as vítimas, o que reforça as críticas de Caracas quanto ao impacto da ação sobre a população. Hospitais da capital e de cidades próximas operam sob pressão, com relatos de escassez de insumos médicos para atender os feridos.
Reação interna e luto da Venezuela
O governo decretou luto oficial e organizou cerimónias em homenagem aos militares mortos, com funerais realizados em Caracas e noutras regiões do país. Imagens divulgadas pela imprensa estatal mostram caixões cobertos com a bandeira venezuelana e familiares em cerimónias marcadas por forte comoção.
Além disso, autoridades locais afirmam que cidadãos estrangeiros presentes no país também podem ter sido atingidos, o que amplia o alcance diplomático do episódio. Caracas anunciou que levará o caso a instâncias internacionais, pedindo investigação independente sobre as circunstâncias do ataque.
Repercussão internacional
A ofensiva gerou reações imediatas no cenário internacional. Governos da América Latina e de outras regiões manifestaram preocupação com a escalada militar e apelaram à contenção. Organizações de defesa dos direitos humanos pediram acesso às áreas afetadas para avaliar o impacto sobre civis e verificar possíveis violações do direito internacional.
Em Washington, o episódio reacendeu o debate interno sobre os limites da ação militar no exterior. Parlamentares questionam a legalidade da operação e os riscos de um envolvimento prolongado em território venezuelano, num contexto já marcado por instabilidade política e económica.
Próximos passos
Enquanto as tensões diplomáticas aumentam, a situação no terreno permanece volátil. O governo venezuelano afirma que continuará a reforçar a defesa do país e a mobilizar apoio internacional, enquanto aguarda um posicionamento mais detalhado dos Estados Unidos. Analistas alertam que novos confrontos podem aprofundar a crise regional e dificultar qualquer tentativa de diálogo no curto prazo.
O episódio marca um novo capítulo na relação conturbada entre Caracas e Washington, com consequências ainda incertas para a segurança, a política e a população venezuelana.