(18) Presidente Marcelo pondera travar nova Lei dos Estrangeiros
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou nesta quinta-feira que está a considerar vetar ou enviar para o Tribunal Constitucional a nova Lei dos Estrangeiros, aprovada recentemente no Parlamento. O diploma, que integra o chamado “pacote de imigração”, traz mudanças profundas nas regras para entrada e permanência de imigrantes em Portugal e tem gerado ampla controvérsia dentro e fora do país.

⚖️ Um exame jurídico e político
Durante uma intervenção em Lisboa, Marcelo afirmou que ainda aguarda o texto final da lei, mas adiantou que irá analisar com atençãLei dos Estrangeiros em Portugal o dois pontos essenciais: a conformidade com a Constituição portuguesa e o impacto político e social das medidas.
“Se a lei não respeitar a Constituição, não hesitarei em agir”, afirmou. Caso contrário, o Presidente avaliará se o diploma consegue equilibrar o combate à imigração irregular com o respeito pelos direitos humanos e as necessidades do mercado de trabalho.
📜 O que muda com a nova lei?
A nova legislação altera drasticamente o modelo vigente de regularização de imigrantes:
- Fim da manifestação de interesse: deixa de ser possível que cidadãos estrangeiros iniciem o processo de legalização estando já em território português, uma prática que vinha sendo usada por milhares de imigrantes, sobretudo brasileiros e africanos.
- Vistos mais restritos: a concessão de vistos passa a exigir comprovação de competências técnicas e ofertas de trabalho prévias, com prazos iniciais de 120 dias, prorrogáveis apenas em casos específicos.
- Reagrupamento familiar limitado: o processo passa a exigir dois anos de residência legal antes que familiares possam juntar-se ao residente em Portugal, com exceção de menores de idade.
- Fiscalização reforçada: a criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) dará à PSP novos poderes para inspeção e expulsão administrativa de imigrantes em situação irregular.
O pacote legislativo foi aprovado com os votos favoráveis do PSD e do Chega, enquanto partidos como o PS, Bloco de Esquerda e PCP acusam o Governo de implementar medidas “discriminatórias” e “desumanas”.
🌍 Repercussão nacional e internacional
A comunidade brasileira, que representa a maior população estrangeira em Portugal, reagiu com preocupação. Em nota oficial, o Governo brasileiro comunicou a Lisboa a sua “grande apreensão” com as alterações, sublinhando que estas poderão afetar diretamente milhares de cidadãos.
Organizações de defesa dos direitos humanos também se mobilizaram. A ONG SOS Racismo classificou a medida como um “retrocesso civilizacional”, enquanto especialistas em Direito alertam para um provável aumento da imigração clandestina e exploração de trabalhadores.
🧭 Os próximos passos
Agora, o diploma está nas mãos do Presidente da República, que dispõe de 20 dias para decidir se promulga, veta ou solicita a fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional. Marcelo sublinhou que a decisão será tomada com cautela:
“Estamos a falar de vidas humanas e de um tema que exige ponderação. O combate à imigração irregular não pode ser feito à custa de direitos fundamentais.”
Conclusão
A nova Lei dos Estrangeiros coloca Portugal diante de um dilema entre reforçar o controlo migratório e manter a tradição de acolhimento que o país sempre cultivou. Com o diploma já aprovado pelo Parlamento, cabe agora ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa decidir se a legislação avança ou se será devolvida para revisão. Até lá, a tensão entre Governo, oposição e sociedade civil promete intensificar-se nos próximos dias.