(21) Juntos, Portugal e Espanha podem liderar a transição energética
A Península Ibérica está cada vez mais em destaque no cenário europeu quando o assunto é energia limpa. Com níveis recordes de produção renovável, Portugal e Espanha mostram ao mundo que é possível avançar rumo a um futuro sustentável. No entanto, para consolidar esta posição de liderança, há um desafio urgente: reforçar as interligações energéticas com o resto da Europa.

Liderança na produção de energias renováveis
De acordo com o Iberian Energy Report da Ember, cerca de 82% da eletricidade em Portugal e Espanha já é proveniente de fontes limpas. Portugal destaca-se com 90% da sua produção elétrica vinda de eólicas, solares e hidroelétricas. Espanha, por sua vez, combina 60% de renováveis com 20% de energia nuclear, consolidando a Península como uma potência energética verde na União Europeia.
Além de contribuir para a descarbonização, esta realidade também proporciona benefícios económicos. Os preços grossistas de eletricidade na região ibérica já são, em média, 16% mais baixos do que no restante da Europa.
O problema das interligações com a Europa
Apesar dos avanços, Portugal e Espanha continuam a ser uma espécie de “ilha energética”. As interligações elétricas com o resto da Europa representam apenas cerca de 3% da capacidade instalada, muito abaixo das metas da União Europeia: 10% até 2020 e 15% até 2030.
Essa limitação não só afeta a segurança energética, como também compromete a exportação do excesso de energia limpa produzido na Península.
Projetos e soluções em curso
Para superar esta barreira, os governos português e espanhol têm intensificado esforços em conjunto. Entre os principais projetos, destacam-se:
• Corredor de Energia Verde, com cabos submarinos no Golfo da Biscaia para ligar a Península à França;
• Gasodutos CelZa e BarMar, capazes de transportar também hidrogénio verde;
• Reforço das linhas de alta tensão entre o Minho e a Galiza.
Além disso, foi assegurado um financiamento europeu de 578 milhões de euros para o cabo submarino no Mar da Biscaia, com previsão de entrada em funcionamento em 2027.
Por que as interligações são cruciais?
Reforçar as ligações energéticas permitirá:
✅ Exportar o excedente de energia limpa para o centro e norte da Europa;
✅ Reduzir ainda mais os custos de eletricidade para consumidores ibéricos;
✅ Aumentar a resiliência energética frente a crises, como secas ou falhas na produção.
União entre Portugal e Espanha pela transição
Em abril de 2025, após um grande apagão que afetou milhões de pessoas, os dois países intensificaram a pressão sobre França e a Comissão Europeia para definir prazos concretos e compromissos vinculativos.
A Península Ibérica já provou ter capacidade técnica e liderança política para acelerar a transição energética. Agora, resta transformar essa vantagem numa integração plena com o mercado europeu, garantindo segurança, sustentabilidade e crescimento económico.
Conclusão
Portugal e Espanha estão a dar passos firmes para se tornarem líderes na transição energética europeia, graças ao investimento massivo em energias renováveis e tecnologia de ponta. No entanto, o potencial da Península Ibérica só será plenamente aproveitado com o reforço das interligações ao resto da Europa. Mais do que uma questão técnica, esta é uma oportunidade estratégica para garantir segurança energética, reduzir custos e posicionar a região como um verdadeiro hub de energia limpa no continente. O futuro é promissor, desde que os compromissos se transformem em ações concretas.