22 de Agosto de 2025, Portugal enfrenta um desafio crescente em relação à pobreza energética, uma situação em que muitas famílias não conseguem manter suas casas a temperaturas adequadas devido a baixos rendimentos e habitações ineficientes. Este problema é particularmente evidente durante as ondas de calor, que têm se tornado mais frequentes e intensas devido às alterações climáticas.

Estudos indicam que mais de metade dos residentes em Lisboa relatam sentir desconforto térmico em casa, tanto no inverno quanto no verão. Entre os participantes em situações financeiras difíceis ou muito difíceis, a sensação de calor excessivo é ainda mais pronunciada. Além disso, muitos não têm capacidade financeira para manter a casa a uma temperatura confortável durante os meses de verão, recorrendo frequentemente a ventiladores ou ar condicionado, equipamentos de baixa eficiência energética.

A falta de isolamento térmico em muitas habitações, especialmente as construídas antes de 1960, contribui para o problema. Portas e janelas mal vedadas, humidade e bolores são comuns, agravando o desconforto térmico. Embora a instalação de ar condicionado seja uma solução imediata, ela não resolve as deficiências estruturais das casas e pode aumentar os custos com energia.

A Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética 2023-2050 (ELPPE) visa erradicar a pobreza energética em Portugal até 2050, promovendo a sustentabilidade energética da habitação e o acesso universal a serviços energéticos essenciais. No entanto, a implementação efetiva dessas medidas enfrenta desafios, incluindo a falta de recursos e a necessidade de sensibilização da população para programas de eficiência energética.

Especialistas alertam que é urgente investir na reabilitação das habitações existentes, melhorando o isolamento térmico e promovendo a eficiência energética. Além disso, é fundamental desenvolver políticas públicas que integrem a transição energética com a justiça social, garantindo que todos os cidadãos tenham acesso a condições de vida dignas, independentemente da sua situação económica.


Dicas de medidas que o governo de Portugal pode adotar para combater a pobreza energética

  1. Investimento em reabilitação de habitações
    Melhorar o isolamento térmico de casas antigas, instalar janelas eficientes e sistemas de ventilação adequados, especialmente em prédios construídos antes de 1960, para reduzir a dependência de ar condicionado e ventiladores.
  2. Subsídios e incentivos financeiros
    Criar programas de apoio financeiro ou subsídios para famílias em situação de vulnerabilidade econômica, permitindo a instalação de equipamentos de climatização eficientes e a melhoria da eficiência energética das casas.
  3. Campanhas de sensibilização
    Promover campanhas de informação sobre consumo responsável de energia, técnicas de climatização natural e hábitos que ajudam a reduzir o impacto das ondas de calor, direcionadas especialmente a cidadãos em áreas mais afetadas.
  4. Programas integrados de eficiência energética
    Expandir programas como a Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética (ELPPE), integrando medidas de eficiência energética com apoio social, priorizando famílias de baixa renda e habitações mais vulneráveis.
  5. Monitoramento e regulamentação
    Estabelecer padrões mínimos de eficiência energética para novas construções e reabilitações, e monitorar o cumprimento das normas através de órgãos como a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
  6. Apoio à inovação tecnológica
    Incentivar o desenvolvimento e a implementação de soluções inovadoras, como sistemas de climatização solar passiva ou materiais de construção sustentáveis, com potencial para reduzir o consumo de energia e o desconforto térmico.
  7. Parcerias público-privadas
    Estimular colaborações com empresas privadas de energia, habitação e construção civil para ampliar o alcance de projetos de eficiência energética e reabilitação de moradias, beneficiando mais cidadãos.

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Em suma, a pobreza energética continua a afetar milhares de portugueses, evidenciando a vulnerabilidade de muitas habitações durante as ondas de calor e os períodos de temperaturas extremas. A situação não é apenas um problema individual, mas um desafio social e estrutural que exige intervenção governamental, planeamento urbano e políticas públicas eficazes.

Investir em reabilitação de casas, promover a eficiência energética e apoiar financeiramente as famílias mais vulneráveis são passos essenciais para reduzir os impactos da crise energética e garantir condições dignas para todos. Sem medidas concretas e integradas, muitos lares portugueses continuarão a enfrentar os rigores do calor sem proteção adequada, perpetuando desigualdades e riscos à saúde pública.