Plano Nacional de Leitura de Portugal tem mais de 9 mil assinaturas
Petição pelo Plano Nacional de Leitura e Bibliotecas Escolares já soma quase 9 mil assinaturas
Lisboa — A defesa da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e do Plano Nacional de Leitura (PNL) mobiliza cada vez mais vozes em Portugal. Desde o lançamento da petição online, em 23 de agosto, a iniciativa já conta com quase 9 mil assinaturas, traduzindo uma preocupação crescente da sociedade civil diante da decisão do Governo de integrar estes dois projetos no recém-criado Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (IEQA).
O que está em jogo
A medida anunciada pelo Executivo prevê a fusão administrativa de estruturas consideradas por muitos como fundamentais para o desenvolvimento cultural e educativo do país. Embora o Ministério da Educação tenha garantido que o PNL e a RBE não serão extintos, mas sim enquadrados numa nova entidade, os signatários temem que o processo resulte na perda de autonomia, de identidade e de capacidade de ação.
Para professores, bibliotecários e defensores da leitura, trata-se de uma mudança que pode comprometer décadas de trabalho consolidado. O receio é de que a integração em um organismo maior dilua a força e o orçamento desses programas, limitando o impacto positivo que vêm exercendo junto às escolas e comunidades.
Crescimento acelerado da mobilização
O ritmo de adesão à petição demonstra a relevância do tema. Em apenas dois dias, a iniciativa já tinha reunido quase cinco mil assinaturas. Poucos dias depois, o número ultrapassava sete mil e, agora, aproxima-se das nove mil subscrições. A rapidez com que cidadãos de diferentes áreas se uniram ao movimento mostra como os projetos conquistaram reconhecimento público ao longo dos anos.
Vozes da sociedade
Entre os organizadores, a preocupação é clara: se os programas funcionam, por que mexer? A promotora da petição, Elsa Serra, destacou que tanto o Plano Nacional de Leitura quanto a Rede de Bibliotecas Escolares têm apresentado bons resultados, alcançando objetivos pedagógicos e sociais de forma eficaz. “Estamos muito preocupados porque estes dois projetos correm bem, têm bons resultados e queremos perceber o porquê desta alteração”, afirmou.
Além dos promotores, muitos professores e educadores já se manifestaram, sublinhando a importância de preservar a autonomia dos projetos. Para eles, manter estruturas próprias significa assegurar que as bibliotecas e os programas de incentivo à leitura continuem próximos da realidade escolar, com capacidade de adaptação às necessidades locais.
O peso da história
Criada em 1996, a Rede de Bibliotecas Escolares nasceu com o propósito de instalar e fortalecer bibliotecas nas escolas públicas do país, oferecendo acesso gratuito e estruturado a livros, informação e recursos digitais. Uma década depois, surgiu o Plano Nacional de Leitura, em resposta a preocupações com os níveis de literacia dos jovens portugueses, que estavam abaixo da média europeia.
Desde então, ambas as iniciativas tornaram-se referências de política pública, promovendo o gosto pela leitura e contribuindo para reduzir desigualdades no acesso à informação. O reconhecimento internacional das práticas portuguesas reforça o valor desses projetos e a necessidade de continuidade.
O futuro em debate
O Governo defende a integração no IEQA como parte de uma reforma administrativa mais ampla, voltada para eficiência e racionalização de recursos. Mas para os críticos, a mudança representa um risco de retrocesso, sobretudo porque mexe com programas que já provaram o seu impacto positivo.
Mais do que uma questão de gestão, o debate envolve a própria visão de educação e de cultura que o país deseja sustentar. Ao reunir milhares de assinaturas em tão pouco tempo, a petição expõe a força de um movimento que entende a leitura como ferramenta essencial para a cidadania, a inclusão e a liberdade.
O futuro do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares permanece em aberto. Mas uma coisa é certa: quem acredita no poder dos livros e da educação não está disposto a deixar que conquistas de décadas sejam enfraquecidas em silêncio.