Em 22 de julho de 2025, a Iniciativa Liberal (IL), liderada por Mariana Leitão, apresentou um inovador projeto de lei com o objetivo de alterar substancialmente o processo de nomeação do governador do Banco de Portugal (BdP). A proposta visa tornar a escolha mais transparente, independente e baseada na qualificação técnica dos candidatos .

 

🔍 Principais alterações previstas

1. Concurso público internacional em lugar da nomeação política:

O cargo passaria a ser atribuído mediante concurso público internacional, promovido por um novo órgão interno — o “Conselho de Ética, Nomeações e Remunerações” — em vez de ser diretamente escolhido pelo Governo .

2. Independência reforçada nos critérios de seleção:

Seria estabelecido que a proposta do governador partisse desse Conselho, com a subsequente apreciação pelo Conselho de Ministros e acompanhamento de parecer fundamentado da comissão parlamentar competente .

3. Canteiro de exclusão para cargos governamentais:

O projeto inclui uma cláusula que impede que pessoas que exerceram funções governativas nos três anos anteriores sejam candidatas, reforçando uma barreira contra possíveis conflitos de interesse .

 

✅ Motivações e impactos esperados

Independência face ao Poder Executivo
A IL sublinha a necessidade de assegurar que o BdP opere de forma independente, sem influência política direta, sobretudo em momentos que exigem decisões prudenciais e isentas .

Elevação do nível técnico
O objetivo é garantir que os órgãos de gestão do BdP sejam compostos por profissionais altamente qualificados e capazes de responder adequadamente aos desafios da supervisão financeira .

Reforço da confiança pública
Ao optar por um rito transparente e internacional, a medida busca aumentar a credibilidade da instituição tanto nacional como internacionalmente.

 

📅 Contexto político e parlamentar

Esta proposta já havia sido apresentada numa sessão legislativa anterior, mas o encerramento antecipado do parlamento impediu que fosse debatida ou votada . Agora, a IL planeia entregar oficialmente o texto ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na audiência agendada para esta terça-feira, 22 de julho, em Belém .

 

🏛️ Comparativo: sistema atual vs. proposta da IL

Aspeto Sistema atual Proposta da Iniciativa Liberal
Quem propõe o governador Ministro das Finanças Conselho de Ética, Nomeações e Remunerações
Quem nomeia Conselho de Ministros, sem caráter vinculativo da Assembleia da República Conselho de Ministros, com parecer fundamentado da comissão parlamentar competente
Procedimento de escolha Nomeação direta, sem obrigatoriedade de concurso público Concurso público internacional obrigatório, com critérios técnicos definidos
Participação parlamentar Assembleia emite parecer não vinculativo Assembleia aprecia a proposta com parecer motivado, reforçando o escrutínio parlamentar
Candidatos ex-governativos Permite candidatos que exerceram funções no Governo, mesmo recentemente Proíbe candidatura de ex-membros do Governo nos três anos anteriores para evitar conflitos de interesse
Nomeação de administradores Proposta do Governo, com parecer não vinculativo da Assembleia Proposta do governador eleito, sujeita a parecer do Conselho de Ética e a uma audição obrigatória no parlamento

 

📌 Porque é relevante agora?

O debate ganha força num momento de transição no BdP: o mandato de Mário Centeno termina e o Governo anunciou que a decisão sobre o futuro governador será tomada na próxima quinta-feira, após o Conselho de Ministros . A iniciativa da IL insere-se num contexto de maior escrutínio sobre escolhas institucionais e reforços de transparência na gestão de temas económicos sensíveis.

Esta proposta representa uma clara aposta na profissionalização e autonomia de uma figura central na estabilidade financeira nacional. Caso aprovada, poderá criar um exemplo de rigor institucional que inspire reformas semelhantes em outras áreas.


Conclusão:

A IL propõe uma mudança paradigmática: substituir uma nomeação política por um concurso público internacional, criado um novo órgão interno com capacidade real de seleção, e garantindo critérios rigorosos de exclusão. Se adotada, esta reforma alteraria, para sempre, o perfil da liderança do Banco de Portugal — tornando-o mais transparente, independente e tecnicamente sólido.

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