Nova política de gestão farmacêutica permite registar com mais rigor os medicamentos inutilizados, promovendo maior transparência e eficiência no uso de recursos públicos.

Entre os anos de 2020 e 2023, os hospitais que integravam o antigo Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) registaram perdas anuais com medicamentos inutilizados que variaram entre 188 mil e 317 mil euros. No entanto, até Abril de 2024, estes números não refletiam de forma precisa o real desperdício, uma vez que muitos dos medicamentos não utilizados eram contabilizados como consumidos pelos serviços requisitantes, mesmo que não tivessem sido efectivamente administrados, nem devolvidos aos fornecedores, nem redistribuídos internamente — situação recorrente, sobretudo em tratamentos interrompidos.

Em Maio de 2024, após recomendações sucessivas — nomeadamente uma indicação formal do Conselho Fiscal da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra —, esta prática foi definitivamente abandonada. Desde essa data, todos os fármacos inutilizados devido a prazos de validade expirados passaram a ser rigorosamente registados e comunicados, permitindo corrigir distorções nos indicadores de consumo e desperdício.

Graças a este novo modelo de controlo, no ano de 2024 o montante associado à inutilização de medicamentos ascendeu a 344.932 euros, representando cerca de 0,2% do total movimentado. Embora esta percentagem seja relativamente baixa, evidencia claramente espaço para melhorias. Só no primeiro trimestre de 2025, o valor de medicamentos descartados por caducidade já rondava os 264 mil euros.

A implementação deste sistema garante que qualquer medicamento só é considerado perdido após serem esgotadas todas as alternativas, como devoluções aos fornecedores — com emissão de notas de crédito ou troca por lotes com prazos mais alargados — ou redistribuição para outras unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com capacidade para os utilizar dentro do prazo de validade.

Por outro lado, a ULS de Coimbra assegura actualmente um processo rigoroso de tratamento das revertências, ou seja, dos medicamentos devolvidos pelos serviços clínicos — sejam eles orais ou injetáveis — evitando que milhares de unidades desapareçam do circuito sem qualquer registo, como acontecia antes de 2024.

O combate ao desperdício farmacêutico tornou-se, assim, uma prioridade estratégica para a ULS de Coimbra. Esta mudança organizacional, baseada nos princípios da transparência, da boa gestão e da defesa do interesse público, permite hoje tomar decisões mais informadas, com impactos directos na sustentabilidade financeira e na equidade no acesso aos cuidados de saúde.

Apesar das resistências naturais inerentes a qualquer processo de mudança, a administração da ULS de Coimbra reafirma o seu compromisso em continuar a aperfeiçoar a gestão dos recursos públicos, garantindo que cada euro investido em saúde seja aplicado da forma mais eficiente e justa para benefício de todos os utentes.