Gripe dá sinais de recuo em Portugal, mas excesso de mortes ainda preocupa autoridades.
23 de Janeiro – Portugal começa a registrar uma desaceleração nos casos de gripe, com redução de infeções respiratórias graves e internações em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), segundo o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). Apesar deste recuo, o país mantém um excesso de mortalidade, sobretudo entre a população idosa, o que continua a preocupar especialistas.
De acordo com o boletim epidemiológico referente à semana de 12 a 18 de janeiro, foram notificados 495 casos de gripe, uma diminuição de 258 casos em comparação com a semana anterior. Entre eles, 75 casos evoluíram para infeção respiratória aguda grave (SARI), o que corresponde a uma taxa de 9,6 casos por 100.000 habitantes.
A maior parte das hospitalizações ocorreu em pessoas com 65 anos ou mais, muitas delas portadoras de doenças crónicas como diabetes, insuficiência cardíaca e problemas respiratórios. Estes dados reforçam a importância da vacinação anual, considerada a forma mais eficaz de prevenir complicações graves da gripe.
Além da gripe, outro vírus respiratório tem chamado atenção: o vírus sincicial respiratório (RSV). Este vírus apresenta aumento de casos em crianças pequenas, sendo responsável por infeções graves, especialmente em bebés prematuros ou com baixo peso ao nascer. O INSA alerta para a necessidade de atenção redobrada em creches e hospitais pediátricos.
Embora a atividade gripal esteja a diminuir, o excesso de mortalidade geral continua a ser observado nas regiões Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. Segundo o INSA, a maioria dos óbitos ocorreu em pessoas com mais de 75 anos, o que indica que, mesmo com menos casos, os grupos vulneráveis continuam em risco.
No contexto europeu, a circulação do vírus da gripe mantém-se elevada em grande parte da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu, com predomínio do subtipo A(H3N2), seguido do A(H1N1)pdm09. Especialistas alertam que a convivência com outros vírus respiratórios e o frio do inverno contribuem para complicações graves em idosos e pessoas com comorbidades.
Medidas de prevenção:
- Vacinação anual contra a gripe, especialmente em grupos de risco;
- Higiene das mãos e etiqueta respiratória, como cobrir a boca ao tossir ou espirrar;
- Evitar contacto próximo com pessoas com sintomas respiratórios;
- Atenção especial a crianças pequenas e idosos, monitorando sinais de dificuldade respiratória ou febre alta;
- Ambientes ventilados em casas, escolas e locais de trabalho.
Embora o cenário mostre sinais positivos de desaceleração, os especialistas reforçam que a vigilância contínua e a vacinação permanecem essenciais para reduzir complicações e mortes, especialmente nos grupos mais vulneráveis.
Cuidados essenciais contra a gripe
1. Vacinação anual
- É o principal meio de prevenção.
- Especialmente importante para idosos, pessoas com doenças crônicas, profissionais de saúde e crianças pequenas.
2. Higiene das mãos
- Lave as mãos com água e sabão regularmente.
- Use álcool em gel quando estiver fora de casa ou em lugares públicos.
3. Etiqueta respiratória
- Cubra boca e nariz ao tossir ou espirrar, preferencialmente com o antebraço ou lenço descartável.
- Evite tocar olhos, nariz e boca sem higienização prévia.
4. Evitar contacto próximo
- Mantenha distância de pessoas que apresentem sintomas respiratórios.
- Evite locais muito cheios ou mal ventilados, especialmente durante surtos.
5. Ventilação de ambientes
- Abrir janelas regularmente ajuda a reduzir a concentração de vírus no ar.
- Evite lugares fechados por longos períodos sem circulação de ar.
6. Alimentação e hidratação
- Consuma alimentos ricos em vitaminas e minerais, especialmente vitamina C, zinco e antioxidantes.
- Beba bastante água para manter mucosas hidratadas e fortalecer a defesa natural do corpo.
7. Cuidados com crianças e idosos
- Monitore sinais de febre, dificuldade respiratória ou fadiga intensa.
- Procure atendimento médico rapidamente se houver piora.
8. Descanso adequado
- Dormir bem fortalece o sistema imunológico.
- Evite esforço excessivo ou exposição a ambientes frios e úmidos.
9. Limpeza de superfícies
- Desinfete maçanetas, teclados, telefones e outros objetos tocados com frequência.
10. Uso de máscara em situações de risco
- Pode ajudar a reduzir a transmissão em transportes públicos, hospitais ou locais com muita gente.