Lisboa, 9 de outubro de 2025 – O Governo português anunciou esta quarta-feira uma iniciativa legislativa que visa reforçar os direitos dos proprietários de imóveis na resolução de contratos em casos de incumprimento, com o objetivo de equilibrar as relações contratuais e proporcionar maior segurança jurídica. A medida integra uma revisão mais ampla do regime jurídico dos contratos, que o Executivo considera essencial para a modernização do mercado imobiliário e a proteção das partes envolvidas.

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Contexto da medida

Nos últimos anos, o mercado imobiliário português tem registado um crescimento considerável, acompanhado de um aumento de conflitos contratuais entre proprietários e arrendatários. Casos de incumprimento, atrasos no pagamento de rendas e danos em propriedades geraram preocupações quanto à eficácia da legislação vigente.

O governo argumenta que, ao fortalecer os direitos dos proprietários, será possível garantir uma maior previsibilidade e confiança no setor, além de incentivar investimentos e a manutenção dos imóveis. Ao mesmo tempo, a proposta enfatiza a necessidade de proteger os direitos dos arrendatários, assegurando que não sejam penalizados injustamente.

Principais alterações propostas

Entre as alterações previstas, destacam-se:

  • Reforço dos direitos dos proprietários: Os proprietários terão mecanismos mais claros e eficazes para resolver contratos quando houver incumprimento, seja por falta de pagamento, utilização indevida do imóvel ou outras violações contratuais.
  • Estabelecimento de prazos e procedimentos definidos: A proposta prevê prazos legais específicos para notificações e ações judiciais, evitando atrasos e incertezas que prejudicam ambas as partes.
  • Equilíbrio nas relações contratuais: Serão introduzidas salvaguardas para que os direitos dos arrendatários sejam preservados, prevenindo abusos e garantindo que medidas contra incumprimento não resultem em despejos arbitrários.
  • Incentivos à reabilitação urbana: Proprietários que promovam obras de reabilitação em imóveis urbanos poderão contar com maior flexibilidade contratual e facilidades legais, estimulando a revitalização de bairros e a melhoria da oferta habitacional.
  • Transparência e comunicação: A proposta também reforça a necessidade de comunicação clara entre as partes, promovendo um ambiente de negociação mais justo e menos litigioso.

Reações e críticas

As medidas propostas têm sido recebidas com opiniões divididas:

  • Proprietários e associações do setor imobiliário: Demonstraram apoio à iniciativa, considerando que proporcionará segurança jurídica e reduzirá a morosidade judicial em casos de incumprimento.
  • Associações de arrendatários: Expressaram cautela, alertando para a necessidade de garantir que os direitos dos inquilinos não sejam comprometidos e que medidas de proteção social continuem vigentes.
  • Especialistas em direito imobiliário: Apontam que a proposta representa um passo importante para modernizar a legislação, mas recomendam monitoramento constante da aplicação prática para evitar desequilíbrios ou interpretações divergentes.

Próximos passos

O governo planeja submeter a proposta a consulta pública, permitindo que cidadãos, associações e especialistas apresentem sugestões antes da aprovação final no Parlamento. Caso seja aprovada, a expectativa é que entre em vigor no início de 2026, proporcionando um quadro legal mais claro e eficaz para a resolução de contratos em Portugal.


 

Medida/Alteração Descrição Impacto para Proprietários Impacto para Arrendatários Impacto para o Mercado/Sociedade
Reforço dos direitos dos proprietários Mecanismos mais claros para resolver contratos em caso de incumprimento Maior segurança jurídica, redução de processos demorados Garantia de resolução justa, evitando abusos Maior estabilidade e confiança no mercado imobiliário
Prazos e procedimentos claros Notificações e ações judiciais com prazos definidos Previsibilidade e eficiência na resolução de conflitos Transparência sobre os direitos e deveres Menos litigiosidade e processos judiciais mais rápidos
Proteção dos arrendatários Salvaguardas legais para evitar despejos arbitrários Limita medidas extremas, mantendo equilíbrio Segurança e preservação dos direitos fundamentais Mercado mais justo e equilibrado
Incentivos à reabilitação urbana Facilidades legais para obras de renovação de imóveis Maior flexibilidade e incentivo a investir em imóveis Benefício indireto com imóveis mais seguros e valorizados Revitalização de áreas urbanas, estímulo à economia local
Transparência e comunicação Contratos claros com direitos, deveres e consequências Redução de conflitos e mal-entendidos Maior compreensão das regras contratuais Ambiente de negociação mais equilibrado e menos litígios