Francisco Pinto Balsemão morre aos 88 anos: Governo decreta dois dias de luto nacional.
O antigo primeiro-ministro português Francisco Pinto Balsemão faleceu na terça-feira, 21 de outubro de 2025, aos 88 anos.
O anúncio foi feito simultaneamente pelo seu grupo de comunicação (Impresa) e pelo presidente do Partido Social‑Democrata (PSD), Luís Montenegro, durante reunião do partido — com aplausos audíveis no plenário. Segundo a família ou o grupo, o falecimento deu-se por “causas naturais”, tendo sido acompanhado pela família oe perto.
Na esteira do seu falecimento, o Governo aprovou dois dias de luto nacional, designados para os dias 22 e 23 de outubro de 2025. O decreto foi promulgado pelo Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, após proposta do Governo.
Por sua vez, a Câmara Municipal de Lisboa decretou também dois dias de luto municipal, com as bandeiras municipais a meio-mastro, em homenagem àquela que classificou como “figura maior da vida pública portuguesa”.
O velório será realizado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, a partir das 18h30 na quarta-feira (22 / 10) e a missa de corpo presente terá lugar na quinta-feira (23 / 10) às 13h00, no mesmo local.

Perfil e legado de Francisco Pinto Balsemão
Nascido a 1 de setembro de 1937, em Lisboa, Balsemão licenciou-se em Direito. Ainda jovem, iniciou a atividade política como membro da chamada “Ala Liberal” no parlamento sob o regime anterior à revolução.
Após a revolução de 25 de Abril de 1974, foi um dos fundadores do que viria a ser o PSD (na altura PPD) junto de nomes como Francisco Sá Carneiro e Joaquim Magalhães Mota. Ele viria a assumir o cargo de primeiro-ministro em 1981, sucedendo a Sá Carneiro após o trágico acidente de avião que vitimou este último.
Durante o seu mandato (1981-1983) enfrentou tensões políticas internas e era líder de um governo numa fase de grande instabilidade partidária. Um dos marcos da sua governação foi a revisão constitucional de 1982, que visava libertar o país de alguns condicionamentos da fase imediata pós-ditadura, e aproximar Portugal da então Comunidade Económica Europeia.
Na vertente dos media, Balsemão foi igualmente pioneiro:
- Fundou o semanário Expresso em 1972/73, ainda sob regime autoritário.
- Foi o mentor do grupo Impresa, que viria a englobar meios de comunicação social significativos em Portugal.
- Lançou em 1992 a primeira televisão privada portuguesa, a SIC, marcando uma viragem no setor.
As reações oficiais ao seu falecimento foram unânimes em destacar-no como “visionário”, “pioneiro” e “uma das personalidades mais relevantes dos últimos sessenta anos” em Portugal, nas esferas da política, da sociedade e da comunicação social.
Importância e contexto histórico
O impacto de Balsemão deve ser considerado sob dois eixos principais: o político-institucional e o comunicacional.
- No plano político, atuou num período de transição — o pós-ditadura, a consolidação democrática e a integração europeia — o que lhe conferiu um papel estrutural para o Portugal que se projetava como Estado moderno.
- No plano dos media, ajudou a abrir espaço para a liberdade de imprensa e para o pluralismo comunicacional, rompendo com o modelo estatal e monolítico que durante tantos anos dominou Portugal.
Este cruzamento entre política e media faz dele uma figura rara: não apenas um ex-governante, mas alguém que ajudou a moldar «o modo de ver» e «o modo de comunicar» do país.
Detalhes adicionais e memórias
- Os filhos de Balsemão emitiram uma carta à equipa da Impresa onde referem que «o legado do pai é eterno» e que se estende a todos aqueles que colaboraram com o grupo.
- A Câmara de Lisboa recorda-o como um “empresário visionário, jornalista e político”, sublinhando que “constitui uma figura singular e ímpar na defesa de três liberdades — de pensamento, de expressão e de informação”.
- Segundo publicação especializada, o patrimônio pessoal de Balsemão era estimado em cerca de 40 milhões de euros, fruto das suas atividades no mundo dos media.