Duarte Cordeiro não descarta liderança do PS e envia recados a José Luís Carneiro.
Duarte Cordeiro, o ex-ministro do Ambiente e da Ação Climática, voltou ao centro do debate político ao afirmar que não exclui uma candidatura à liderança do Partido Socialista (PS). Embora tenha defendido a necessidade de “unidade e reflexão interna”, Cordeiro deixou recados claros a José Luís Carneiro, atual secretário-geral, e demonstrou simpatia por António José Seguro, que tem sido apontado como uma voz de consenso entre as diferentes alas socialistas.

Cordeiro pede “unidade e diálogo” dentro do PS
Em declarações recentes, Duarte Cordeiro sublinhou que o PS vive um momento delicado, marcado pela perda de fôlego eleitoral e pela necessidade de reconstruir pontes internas.
Segundo ele, “o partido precisa de reencontrar-se com os portugueses, com humildade e diálogo, sem fechar-se numa lógica de fações”.
O ex-ministro reforçou ainda que não está fora do jogo político:
“Não afasto nenhuma hipótese. O mais importante é garantir que o PS tenha uma liderança agregadora, que saiba unir o partido em torno de um projeto claro.”
Essas palavras mantêm viva a especulação sobre uma eventual candidatura sua à liderança socialista, sobretudo após a saída de Pedro Nuno Santos e a vitória de José Luís Carneiro em um processo interno que ainda gera controvérsia entre algumas correntes do partido.
Críticas indiretas a Carneiro e defesa da pluralidade
Sem citar diretamente José Luís Carneiro, Duarte Cordeiro fez críticas à forma como o atual líder assumiu o cargo, defendendo uma disputa mais aberta e plural dentro do PS.
“Não me parece saudável haver apenas um candidato. O partido precisa de debate, de diversidade de ideias e de escolhas reais”, afirmou.
Para o ex-ministro, o momento é de “ponderação e reflexão”, e não de decisões precipitadas motivadas pelo resultado eleitoral. Ele defendeu que os socialistas não devem correr para a escolha de nomes, mas sim discutir o rumo do partido.
Apoio a António José Seguro como símbolo de consenso
Cordeiro também elogiou António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, afirmando que ele representa “um exemplo de serenidade e respeito institucional”.
Fontes próximas ao ex-ministro indicam que ele vê em Seguro um perfil capaz de unir as várias alas socialistas, especialmente entre os que se sentem afastados pela liderança atual.
Embora Cordeiro não tenha declarado apoio formal, o gesto foi interpretado como uma mensagem indireta de distanciamento em relação a Carneiro e uma tentativa de reaproximação com o grupo mais moderado do partido.
Um partido em busca de direção
O Partido Socialista atravessa um momento de reestruturação desde a derrota nas legislativas e a saída de Pedro Nuno Santos da liderança.
Em junho, José Luís Carneiro foi eleito secretário-geral com cerca de 95,5% dos votos válidos, mas a ausência de um congresso para ratificar o resultado gerou debate interno sobre a legitimidade formal do processo.
Entre os militantes, há quem defenda uma liderança de transição até a convocação de um congresso pleno — cenário que pode abrir espaço para nomes como Duarte Cordeiro ou outros ex-governantes próximos de António Costa.
Cordeiro busca espaço, mas evita confronto direto
Duarte Cordeiro tem mantido uma postura cautelosa desde que deixou o governo, após ser citado — sem acusação formal — em investigações políticas.
Mesmo afastado, continua ativo nos bastidores e é visto como uma figura com peso técnico e perfil conciliador, capaz de atrair tanto o eleitorado mais progressista quanto os setores centristas do PS.
Apesar de negar, por enquanto, qualquer candidatura, suas declarações recentes reacendem especulações sobre seu papel na futura reorganização do partido.
“O PS precisa reencontrar-se com os portugueses e consigo mesmo”, concluiu o ex-ministro, num tom que mistura crítica e ambição política.
Contexto
- Pedro Nuno Santos deixou a liderança do PS após o fraco desempenho nas legislativas.
- José Luís Carneiro assumiu interinamente e foi eleito secretário-geral em junho de 2025.
- António José Seguro volta a ser mencionado como possível figura de consenso.
- Duarte Cordeiro defende unidade, pluralidade e abertura no debate interno.