Onda de calor extremo de Loures leva médicos a recusar responsabilidades (17)
Gabinetes chegam a 35 °C e profissionais se recusam a assumir riscos
Na Unidade de Saúde Familiar Parque Cidade, em Loures, mais de 20 profissionais de saúde – entre eles 10 médicos, 9 enfermeiros e 4 assistentes técnicos – apresentaram pedidos de escusa de responsabilidade. A decisão surge após dias de trabalho em condições consideradas insuportáveis, com temperaturas nos gabinetes que chegam a atingir os 35 °C. A situação tem levantado preocupações sobre a saúde e a segurança não só dos trabalhadores, mas também dos utentes que recorrem ao local.

FNAM exige medidas urgentes e denuncia problema estrutural
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) considera que o calor extremo é consequência da falta de condições básicas no edifício onde funciona a unidade, ligada à Unidade Local de Saúde (ULS) de Loures e Odivelas. De acordo com a FNAM, a única medida implementada até agora para combater as altas temperaturas foi a utilização de ventoinhas, recurso considerado inadequado e até desaconselhado pelas normas de prevenção de infeções em ambiente clínico.
Em comunicado, a federação informa que já solicitou explicações ao Conselho de Administração da ULS de Loures e Odivelas. Caso não haja uma solução rápida e eficaz, a FNAM ameaça formalizar queixas junto da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e da Entidade Reguladora da Saúde (ERS).
Falta de climatização afeta outras unidades do SNS
O cenário observado em Loures não é um caso isolado. A FNAM alerta que várias unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrentam problemas semelhantes. No Centro de Saúde de Rio Tinto, em Gondomar, falhas no ar condicionado e o calor excessivo levaram a avisos sobre a possível suspensão de cuidados programados, uma vez que não estariam garantidas as condições mínimas de segurança.
Já em Viseu, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses denunciou à agência Lusa que a ausência de sistemas de climatização obrigou algumas Unidades de Saúde Familiar (USF) a colocar medicamentos em quarentena, um procedimento que, segundo os profissionais, está a tornar-se cada vez mais frequente durante os meses de verão.
Exigência de uma resposta imediata das autoridades
A FNAM sublinha que as condições ambientais nas unidades de saúde não podem ser ignoradas, uma vez que colocam em risco a qualidade do atendimento e a saúde de quem trabalha e de quem procura cuidados médicos. A federação reforça a necessidade de uma intervenção urgente por parte das autoridades competentes para resolver o problema estrutural e garantir a segurança de utentes e profissionais em todo o país.