(20) : Chikungunya Regressa com Força à Europa — Um Alerta para o “Novo Normal”
20 de Agosto de 2025, O vírus chikungunya voltou a circular com força na Europa em 2025, sinalizando uma nova realidade para a saúde pública — o chamado “novo normal” das doenças transmitidas por mosquitos. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), a ampliação das áreas infestadas pelo mosquito Aedes albopictus, somada a invernos mais amenos e verões prolongados, elevou o risco de surtos como os observados recentemente em diversas regiões do continente.
Nesse contexto, as autoridades de saúde alertam para surtos autóctones em França — como na região da Alsácia — além de casos importados significativos. Já o UK Health Security Agency (UKHSA) registrou um aumento de 170% nos casos importados entre janeiro e junho de 2025.
O cenário exige ações urgentes na prevenção, vigilância e orientação a viajantes — especialmente num momento em que as bases climáticas favorecem a circulação de vetores e a imprevisibilidade epidêmica — um alerta essencial para a saúde coletiva europeia.

Panorama Epidemiológico e Ambiental
Crescimento dos Vetores pela Europa
O Aedes albopictus está presente em 369 regiões de 16 países, número que representa um forte avanço nos últimos anos — eram apenas 114 há uma década.
A presença desses mosquitos, ativos durante o dia, torna possível a transmissão local em áreas antes livres da doença.
Surtos e Casos Ativos
- França registrou seis surtos autóctones em 2025, com início antecipado da temporada de mosquitos — evidência das mudanças climáticas em curso.
- Os territórios ultramarinos franceses — La Réunion e Mayotte — enfrentam surtos intensos: La Réunion já reportou mais de 47.500 casos e 12 mortes.
- O continente viu 800 casos importados e 12 casos locais confirmados na França, além de pelo menos um caso autóctone na Itália.
Vacinação: Panorama e Cuidados
Vacinas Aprovadas e Regulamentação
Duas vacinas contra chikungunya estão disponíveis:
- Ixchiq (vacina viva atenuada) — aprovada pela EMA em junho de 2024.
- Vimkunya (vacina recombinante baseado em partículas virais) — aprovada pela EMA em fevereiro de 2025.
Restrições para Idosos
Devido a eventos adversos graves em idosos, o uso de Ixchiq foi temporariamente suspenso para maiores de 65 anos pela EMA, enquanto o CDC (EUA) e a FDA deu orientação semelhante para maiores de 60 anos.
Essa recomendação ocorreu após a identificação de casos graves envolvendo neurológicos e cardíacos, seguidos de internações e até mortes em pacientes com comorbidades.
Orientação para Viajantes
Segundo a CDC, viajantes com maior risco — especialmente os que vão para áreas com surtos — devem considerar vacinação, exceto idosos.
Na Inglaterra, a Ixchiq é recomendada para maiores de 18 anos; já a Vimkunya, por não ser viva, pode ser usada a partir dos 12 anos, sendo alternativa segura para quem não pode tomar vacinas vivas.
Dicas Práticas para Viajantes
Prevenção de Picadas de Mosquito
- Use repelentes eficazes (DEET, picaridina, PMD, IR3535), aplicados conforme orientação do fabricante.
- Vista roupas claras, de manga longa e calças; evite perfumes e elementos atraentes para mosquitos.
- Utilize telas em portas e janelas, redes impregnadas, ar-condicionado ou dormidas em camas fechadas.
Cuidados Ambientais
- Elimine água parada em vasos, pneus e recipientes em torno da acomodação — isso reduz significativamente os criadouros mosquitos.
Consulta Médica Pré-Viagem
- Planeje uma consulta com especialista em saúde do viajante 4–6 semanas antes da viagem, especialmente se considerar a vacinação.
- Em caso de sintomas febris após retorno, busque atendimento médico com menção de possível chikungunya.
Conclusão
O retorno da chikungunya na Europa confirma que o contexto epidemiológico mudou — agora enfrentamos um “novo normal” marcado por riscos ampliados devido ao clima e mobilidade global. Viajantes devem adotar uma abordagem dupla: vacinação criteriosa (quando indicada) e prevenção ativa de picadas, para reduzir o risco individual e evitar a introdução do vírus em novas regiões.
Com ações coordenadas, responsabilidade, informação e precaução, é possível viajar com segurança mesmo diante de ameaças emergentes à saúde pública.